Um investimento estimado em R$ 3 bilhões, capacidade para movimentar quase 11 milhões de toneladas por ano e uma estrutura preparada para receber diferentes tipos de cargas. O Porto Coamo, um dos maiores projetos de infraestrutura previstos para Itapoá, acaba de avançar mais uma importante etapa para sair do papel.
O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina, o IMA, concedeu a Licença Ambiental Prévia, LAP nº 3364/2026, para o Terminal de Uso Privado da Coamo Agroindustrial Cooperativa. Na prática, a decisão reconhece a viabilidade ambiental do empreendimento nesta etapa do licenciamento e permite que o projeto continue avançando.
E isso torna a construção do novo porto mais próxima do que muita gente imagina.
É importante entender que a Licença Ambiental Prévia ainda não autoriza o início imediato da construção.
Ela representa uma das principais etapas do processo ambiental. Agora, o empreendimento precisa avançar para as próximas fases, entre elas a obtenção da Licença Ambiental de Instalação, que é necessária para a implantação física do terminal. O projeto também segue os procedimentos regulatórios relacionados à Agência Nacional de Transportes Aquaviários, a Antaq. A previsão divulgada até o momento é de que as obras comecem em 2027.
Depois da obtenção da licença de instalação, o cronograma apresentado prevê aproximadamente 36 meses de construção, com o início das operações projetado para 2030.
Ou seja, aquilo que durante anos parecia um projeto distante começa a ganhar etapas, documentos e um cronograma cada vez mais definido.
O futuro Terminal de Uso Privado da Coamo será instalado próximo à atual estrutura portuária de Itapoá. O empreendimento deverá ocupar aproximadamente 42,8 hectares e receber um investimento estimado em R$ 3 bilhões.
A dimensão do projeto ajuda a explicar sua importância. Quando estiver em plena operação, a capacidade projetada do novo terminal é de aproximadamente 10,9 milhões de toneladas de cargas por ano.
O terminal será voltado principalmente para o agronegócio e terá capacidade para trabalhar tanto com exportações quanto com importações. Entre as cargas previstas estão:
- grãos e outros granéis sólidos vegetais;
- fertilizantes;
- combustíveis líquidos;
- gás liquefeito de petróleo, o GLP.
Somente a exportação de grãos deverá representar aproximadamente 7 milhões de toneladas por ano, tendo como uma das principais finalidades criar uma nova rota logística para a produção ligada à Coamo.
Outro número que chama atenção está na estrutura marítima planejada. O projeto prevê três berços de atracação, permitindo a operação de diferentes tipos de cargas dentro do mesmo complexo portuário.
A estrutura terá áreas específicas para movimentação de grãos e farelos, fertilizantes, combustíveis líquidos e GLP.
O planejamento também inclui tecnologias destinadas a reduzir impactos durante a movimentação das cargas. Para os granéis sólidos, por exemplo, estão previstos sistemas de correias transportadoras enclausuradas, que ajudam a controlar a dispersão de poeira e a exposição da carga ao ambiente externo. Também está prevista a implantação de uma barreira vegetal no entorno do empreendimento.
Com um empreendimento capaz de movimentar milhões de toneladas por ano, uma das principais questões é naturalmente o fluxo logístico terrestre. O acesso ao terminal deverá ocorrer pela Estrada Municipal José Alves, conectada à BR-101 através das rodovias estaduais SC-416 e SC-417.
O projeto também prevê uma área de triagem e apoio fora do terminal. Informações apresentadas durante o processo ambiental indicam capacidade para aproximadamente 400 caminhões, contribuindo para organizar a chegada dos veículos antes do acesso à área portuária.
Esse planejamento ganha ainda mais relevância diante das obras e investimentos viários programados para a região, fundamentais para acompanhar o crescimento da movimentação logística no município.
O anúncio da Licença Ambiental Prévia não aconteceu isoladamente. Em outubro de 2025, o IMA tornou público o Relatório de Impacto Ambiental, RIMA, do empreendimento e abriu prazo para manifestações relacionadas ao projeto.
Em dezembro daquele ano, uma audiência pública realizada em Itapoá apresentou os estudos ambientais e também abriu espaço para discussões sobre possíveis efeitos da implantação do terminal em áreas como pesca, turismo, comércio, infraestrutura e qualidade de vida.
Já em julho de 2026, o processo também avançou na Antaq, responsável pela regulação do transporte aquaviário e das instalações portuárias no país. Agora, com a Licença Ambiental Prévia concedida, uma das principais etapas anteriores ao pedido da licença de instalação foi superada.
O Porto Coamo também ajuda a mostrar uma transformação importante na vocação logística de Itapoá. Atualmente, o município já abriga o Porto Itapoá, especializado na movimentação de contêineres.
O novo terminal da Coamo terá uma característica diferente, concentrada principalmente nos granéis agrícolas, fertilizantes e líquidos.
Isso significa que, caso todas as etapas sejam concluídas, Itapoá poderá reunir dentro do mesmo município grandes operações portuárias com perfis complementares.
A cidade deixa de ser somente um importante ponto para movimentação de contêineres e aumenta sua participação na logística de produtos ligados ao agronegócio brasileiro.
O Porto Coamo ainda não está em construção. A diferença é que, agora, existe uma etapa importante a menos separando o projeto do início das obras.
A Licença Ambiental Prévia já foi concedida, o processo regulatório continua avançando e o cronograma divulgado mantém 2027 como previsão para o início das obras e 2030 para o começo das operações.
Se os próximos processos ambientais e regulatórios avançarem conforme o planejado, Itapoá poderá começar a acompanhar, já nos próximos anos, a construção de um dos maiores investimentos de sua história recente.
Um terminal de aproximadamente R$ 3 bilhões, com três berços de atracação e capacidade para movimentar 10,9 milhões de toneladas por ano.
O Porto Coamo ainda precisa cumprir etapas importantes para sair definitivamente do papel.
Mas, depois dos avanços de 2026, sua construção está mais perto do que você imagina.







