Itapoá está prestes a viver uma das maiores viradas da sua história. A cidade, que já chama atenção pelo crescimento, pelas praias e pela força do Porto Itapoá, agora se prepara para receber um novo empreendimento capaz de mexer com a economia, a geração de empregos, o mercado imobiliário e toda a dinâmica da região.
O projeto é conhecido como o futuro Porto da Coamo. Mas, na prática, ele vem sendo chamado de “4 portos em 1” por reunir diferentes operações em uma mesma estrutura: grãos, fertilizantes, combustíveis líquidos e gás de cozinha, o GLP. A proposta inclui terminais voltados para soja e milho, fertilizantes, combustíveis e GLP, com capacidade estimada de 10,9 milhões de toneladas por ano.
O investimento anunciado é de R$ 3 bilhões. O terminal deve ocupar uma área de 43 hectares, contar com três berços de atracação e iniciar suas operações em 2030, de acordo com o Governo de Santa Catarina. A previsão oficial é de movimentar cerca de 11 milhões de toneladas por ano.
Na prática, isso significa que Itapoá deixará de ser vista apenas como uma cidade com um porto importante. Ela passa a caminhar para se tornar um dos grandes centros logísticos do Sul do Brasil.
A expressão chama atenção porque o projeto não nasce focado em apenas um tipo de carga. A ideia é criar um terminal multicargas, ou seja, uma estrutura preparada para atender diferentes demandas da cadeia logística.
A Coamo deve operar a parte de granéis vegetais, como soja e milho. A Yara aparece ligada ao terminal de fertilizantes, a Supergasbras ao setor de GLP e ainda existem tratativas para operações com combustíveis líquidos.
Esse desenho torna o projeto ainda mais estratégico. Em vez de depender de uma única frente de movimentação, o complexo nasce com várias possibilidades de operação. Isso amplia a força do terminal e aumenta o impacto sobre a economia local.
A escolha por Itapoá não aconteceu por acaso. Segundo o presidente executivo da Coamo, Airton Galinari, o projeto vem sendo trabalhado há quase 10 anos. A cooperativa já opera no Porto de Paranaguá, no Paraná, mas enfrenta limitações e gargalos para expandir algumas operações.
Hoje, a Coamo escoa quase 5 milhões de toneladas por ano por Paranaguá. Com o novo terminal em Itapoá, a cooperativa busca abrir uma nova rota para dar mais eficiência ao escoamento da produção e reduzir dependências logísticas.
Outro ponto que pesou na decisão foi a infraestrutura em andamento em Santa Catarina. O aumento da profundidade da Baía da Babitonga, além das duplicações das rodovias SC-416 e SC-417, foi citado como um dos fatores que ajudaram a tornar Itapoá ainda mais atrativa para esse tipo de investimento.
O projeto da Coamo se conecta diretamente com outro movimento gigante: a dragagem da Baía da Babitonga. A obra deve permitir a operação de navios de até 366 metros de comprimento, colocando o complexo portuário em um novo patamar nacional.
Isso muda o jogo. Com mais profundidade e capacidade para receber embarcações maiores, Itapoá ganha força para disputar cargas, atrair empresas e se consolidar como uma peça-chave no corredor de importação e exportação de Santa Catarina.
O novo terminal da Coamo chega dentro desse cenário. Ou seja, não é um projeto isolado. Ele faz parte de uma transformação maior, que envolve porto, estradas, dragagem, empresas globais e uma cidade que cresce em ritmo acelerado.
A previsão divulgada pelo Governo de Santa Catarina é de cerca de 2 mil empregos durante as obras e 1 mil vagas permanentes quando o terminal estiver em operação.
Além dos empregos diretos, o impacto tende a aparecer em várias áreas da cidade. Mais movimento no comércio, mais demanda por serviços, mais necessidade de moradia, mais investimentos e mais circulação de renda.
É por isso que esse tipo de projeto não transforma apenas o setor portuário. Ele muda o entorno. Uma obra desse tamanho puxa junto restaurantes, mercados, construção civil, locações, hospedagem, transporte, manutenção, serviços técnicos e o mercado imobiliário.
Para Itapoá, isso representa mais do que um novo porto. Representa uma nova fase de desenvolvimento.
Itapoá já vive um momento especial. A cidade cresce, atrai turistas, recebe novos moradores e vem ganhando destaque no litoral catarinense. Com a chegada do novo terminal da Coamo, essa expansão pode ganhar ainda mais força.
O impacto não deve ser sentido apenas em 2030, quando a operação está prevista para começar. A movimentação já começa antes, com estudos, licenciamento, obras, contratações, fornecedores e expectativa de valorização em áreas estratégicas.
Projetos desse porte costumam mudar a forma como investidores olham para uma cidade. Itapoá passa a ser vista não apenas como destino de praia, mas como cidade de futuro, logística forte e economia em expansão.







