Santa Catarina acaba de alcançar mais um marco importante para sua economia. Nesta segunda-feira, 2 de novembro, entrou em operação o Bunge Terminal Graneleiro de São Francisco do Sul, tornando-se o sétimo terminal portuário em funcionamento no estado.
Localizado em São Francisco do Sul, no Litoral Norte catarinense, o novo empreendimento tem capacidade para movimentar até 6 milhões de toneladas de grãos por ano, ampliando a estrutura de exportação e reforçando a importância da região para o comércio internacional.
E essa novidade não beneficia apenas São Francisco do Sul. O terminal está inserido no Complexo Portuário da Babitonga, do qual Itapoá também faz parte, consolidando ainda mais o potencial logístico e econômico do Litoral Norte de Santa Catarina.
O novo terminal, que durante sua implantação foi conhecido como Terminal de Granéis de Santa Catarina (TGSC), está instalado na região do Morro Bela Vista, próximo ao Porto de São Francisco do Sul.
Sua primeira operação aconteceu no dia 2 de novembro, com a chegada do navio Aristo Ocean, embarcação de aproximadamente 229 metros de comprimento, que será carregada com soja destinada à exportação.
O início das atividades ocorre em fase de testes, permitindo os ajustes necessários nos equipamentos e processos operacionais. O empreendimento recebeu autorização da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) em agosto de 2026 e posteriormente foi habilitado para o tráfego internacional.
O novo porto foi desenvolvido para atender à crescente demanda de exportação de grãos, especialmente produtos agrícolas que precisam chegar aos mercados internacionais com mais eficiência.
Entre seus principais números estão:
Capacidade anual de 6 milhões de toneladas de grãos; Armazenamento de 135 mil toneladas de granéis; Correias transportadoras de 980 metros, suportando até 2 mil toneladas por hora; Estrutura de atracação de 174 metros; berço com quatro dolfins.
O terminal também possui seis silos verticais e um armazém horizontal, com possibilidade de ampliação futura.
Com essa estrutura, Santa Catarina amplia sua capacidade de escoamento da produção agrícola, fortalecendo a competitividade logística do estado e sua conexão com os mercados internacionais.
Para entender a importância dessa novidade, precisamos olhar para toda a região da Baía da Babitonga. Localizada no Litoral Norte de Santa Catarina, a baía abriga um conjunto de instalações portuárias que conecta a produção brasileira ao comércio mundial.
O complexo reúne operações em diferentes segmentos, com destaque para o Porto de São Francisco do Sul, o Porto Itapoá e, agora, o novo terminal graneleiro da Bunge. Enquanto São Francisco do Sul tem forte atuação na movimentação de granéis e outras cargas, o Porto Itapoá se destaca na movimentação de contêineres, complementando as atividades portuárias da região.
Essa diversidade permite atender diferentes setores da economia, como o agronegócio, a indústria e o comércio exterior. Mais do que portos próximos uns dos outros, estamos falando de uma região que concentra infraestrutura, investimentos e oportunidades de desenvolvimento.
Do outro lado da Baía da Babitonga, Itapoá também vive um momento de expansão de sua infraestrutura logística.
O município abriga o Porto Itapoá, um dos principais terminais privados de contêineres do Brasil, e se prepara para receber mais um grande empreendimento: o Porto Coamo. O projeto da Coamo Cooperativa Agroindustrial prevê um investimento inicial estimado em R$ 3 bilhões, com capacidade projetada de aproximadamente 11 milhões de toneladas anuais.
Em agosto de 2026, o empreendimento conquistou sua Licença Prévia ambiental, uma etapa importante para avançar no processo de implantação. A previsão divulgada é de início das obras em 2027, com operações projetadas para 2030, dependendo das próximas autorizações e do andamento do projeto.
Quando entrar em funcionamento, o Porto Coamo poderá representar o oitavo terminal portuário de Santa Catarina, fortalecendo ainda mais a participação de Itapoá na logística nacional.
Além da chegada de novos empreendimentos, a região passa por importantes melhorias em sua infraestrutura marítima.
Um dos principais projetos é o aprofundamento do canal de acesso à Baía da Babitonga, realizado por meio de uma parceria entre os portos de São Francisco do Sul e Itapoá. Com investimentos superiores a R$ 300 milhões, a obra tem como objetivo ampliar a profundidade do canal de 14 para 16 metros, criando condições para a navegação de embarcações de até 366 metros de comprimento.
Em Itapoá, o projeto também está relacionado ao alargamento da faixa de areia das praias, aproveitando o material retirado durante a dragagem. De acordo com o monitoramento da FIESC, a obra de aprofundamento chegou a 98% de execução em outubro de 2026.
São investimentos que ajudam a preparar o complexo para receber navios maiores, ampliar sua eficiência e acompanhar o crescimento do comércio internacional.
O desenvolvimento portuário não se limita à movimentação de navios e mercadorias. Ele também pode gerar impactos na economia das cidades próximas. A ampliação das atividades logísticas tende a aumentar a demanda por serviços, transporte, manutenção, comércio e profissionais especializados.
Para Itapoá, esse cenário é especialmente interessante. O município já possui uma forte ligação com o setor portuário e está localizado em uma região que continua atraindo investimentos de grande porte.
Com novos empreendimentos previstos, surgem também perspectivas de aumento da demanda por moradias, locações e imóveis destinados aos profissionais e empresas envolvidas nessas atividades.
É importante lembrar que a valorização imobiliária depende de diversos fatores, como localização, infraestrutura urbana, oferta e procura. Ainda assim, a expansão econômica é um dos elementos que podem contribuir para o desenvolvimento do mercado imobiliário local.
A chegada do sétimo porto catarinense mostra que Santa Catarina continua ampliando sua participação no setor logístico brasileiro. E, olhando para a Baía da Babitonga, fica evidente que estamos diante de uma região com grandes perspectivas de desenvolvimento.
De um lado, São Francisco do Sul amplia sua capacidade de exportação com o novo terminal da Bunge. Do outro, Itapoá se consolida como um importante polo de movimentação de contêineres e se prepara para receber novos investimentos.
O crescimento do Complexo Portuário da Babitonga é uma notícia importante para toda a região. E nós, que acompanhamos de perto a transformação de Itapoá, sabemos o quanto essas obras podem influenciar o futuro da nossa cidade.
Mais infraestrutura, mais atividade econômica e novas oportunidades fazem parte de um movimento que merece ser acompanhado de perto.







