O Complexo Portuário da Babitonga, no Norte de Santa Catarina, está entrando em um dos períodos mais importantes de sua história.
Formado principalmente pelo Porto de São Francisco do Sul e pelo Porto Itapoá, o complexo já ocupa uma posição estratégica no comércio exterior brasileiro. Agora, uma combinação de recordes de movimentação, ampliação da infraestrutura e chegada de novos projetos pode elevar ainda mais a importância da região.
Em 2025, os portos catarinenses movimentaram 65,7 milhões de toneladas de cargas, reforçando o peso do setor para a economia do Estado. E boa parte desse movimento passa justamente pela Baía da Babitonga.
Os dois principais portos da Babitonga vivem momentos de forte crescimento. O Porto de São Francisco do Sul encerrou 2025 com um recorde histórico de 17,5 milhões de toneladas movimentadas, o maior resultado registrado em seus 70 anos de operação.
Já o Porto Itapoá alcançou outro marco importante: 1,5 milhão de TEUs movimentados em 2025, consolidando o terminal como o terceiro maior do Brasil na movimentação de contêineres.
Os números ajudam a explicar por que tantos investimentos estão sendo direcionados para a região.
Uma das principais obras em andamento é o aprofundamento do canal de acesso da Baía da Babitonga.
O projeto prevê aumentar a profundidade de 14 para 16 metros, criando condições para que navios de até 366 metros de comprimento operem com carga máxima no complexo. Com isso, a Babitonga deverá se tornar o primeiro complexo portuário brasileiro preparado para receber embarcações desse porte nessas condições.
A obra representa um investimento de aproximadamente R$ 333 milhões, realizado por meio de uma parceria entre o Porto de São Francisco do Sul e o Porto Itapoá.
Na prática, navios maiores significam maior capacidade de transporte, redução de custos logísticos e mais competitividade para as empresas que utilizam os portos da região.
O projeto tem ainda uma característica inédita no país. Dos aproximadamente 12,5 milhões de metros cúbicos de sedimentos retirados durante a dragagem, cerca de 6,5 milhões de metros cúbicos de areia foram destinados ao alargamento da orla de Itapoá.
A intervenção contempla aproximadamente 8 quilômetros de praia, unindo uma necessidade portuária a uma das maiores obras de recuperação costeira já realizadas no Brasil.
Enquanto o canal ganha capacidade para receber navios maiores, o Porto Itapoá também amplia sua estrutura em terra.
A Fase IV de expansão prevê cerca de R$ 500 milhões em investimentos, incluindo a incorporação de aproximadamente 120 mil metros quadrados ao pátio, além da aquisição de novos equipamentos e modernização das operações.
Antes disso, a terceira fase já havia recebido R$ 815 milhões em investimentos e ampliado significativamente a estrutura do terminal.
Esse processo mostra que o crescimento da movimentação não está acontecendo de forma isolada. Existe uma preparação da infraestrutura para suportar volumes ainda maiores nos próximos anos.
E o Porto Itapoá não é o único projeto de grande porte previsto para a região. A Coamo anunciou um investimento de aproximadamente R$ 3 bilhões para construir um novo terminal portuário em Itapoá, ampliando a presença da atividade portuária na Baía da Babitonga.
A chegada de novos terminais, empresas logísticas e operações retroportuárias pode transformar ainda mais o eixo formado por Itapoá, São Francisco do Sul, Araquari e Joinville.
Estimativas divulgadas pelo Porto Itapoá, com base em especialistas de inteligência de mercado, apontam que a área de influência direta do Complexo da Babitonga possui potencial para receber até R$ 15 bilhões em investimentos privados ao longo de uma década, considerando empreendimentos portuários e retroportuários.
Para Itapoá, o avanço do Complexo Portuário da Babitonga vai muito além da movimentação de navios. O crescimento portuário movimenta uma extensa cadeia que envolve transporte, construção civil, tecnologia, alimentação, comércio, prestação de serviços, logística e geração de empregos.
Além disso, aumenta a necessidade de investimentos em rodovias, infraestrutura urbana e novos espaços para empresas e trabalhadores.
O próprio Porto Itapoá já figura entre os principais empregadores do município e continua ampliando sua capacidade.
Isso ajuda a explicar por que Itapoá vive uma transformação tão intensa nos últimos anos. A cidade deixou de ser apenas um destino de praia e passou a ocupar também uma posição cada vez mais importante no mapa logístico brasileiro.
O cenário é formado por várias peças acontecendo ao mesmo tempo.
Portos batendo recordes, novos terminais sendo planejados, centenas de milhões de reais em ampliações e um canal preparado para uma nova geração de grandes navios.
A Baía da Babitonga já é uma das regiões portuárias mais importantes de Santa Catarina. Com os investimentos em andamento, seu protagonismo tende a crescer ainda mais.
E para cidades diretamente ligadas a esse movimento, como Itapoá e São Francisco do Sul, acompanhar a evolução do complexo é também acompanhar uma das principais transformações econômicas e de infraestrutura do Norte catarinense.







